Flusser inicia o texto definindo "objeto", o qual, segundo ele, é algo que está no meio (um problema, um obstáculo). Nesse sentido, existem os "objetos de uso", os quais funcionam para afastar outros objetos (problemas) do caminho. Ambas as definições constituem o que o autor chama de "dialética interna da cultura", já que ele compreende esta como a "totalidade dos objetos de uso" existente.
Na sequência, Vilém questiona quem produz os objetos de uso e para quem eles são destinados. A resposta do filósofo é de que eles são projetados por pessoas as quais enfrentaram os obstáculos anteriormente e que lançam os objetos de usos para aquelas as quais necessitam "progredir" (lutar contra os problemas). Nesse contexto, por serem projetados por determinadas pessoas a outras, a cultura é vista como dialógica, pois funciona como mediadora. Então, dois termos importantes para o tema são citados: "responsabilidade" e "liberdade". Aquela está relacionada à escolha entre focar no aspecto "intersubjetivo" do objeto ou no seu aspecto utilitário, sendo que cada opção implicará em consequências diferentes às pessoas que os utilizarão (se o foco estiver no aspecto subjetivo, a liberdade cultural fica reduzida).
"O progresso científico e técnico é tão atrativo que qualquer ato criativo ou design concebido com responsabilidade é visto praticamente como retrocesso." é uma frase emblematica do texto em questão, pois descreve a situação da cultura atual: na maioria das vezes, a ideia de progresso e as formas de manipulação por trás dela se sobrepõem à funcionalidade que os objetos de uso deveriam ter. Vilém também destaca a "cultura imaterial" a qual predomina no mundo atual e que pode restringir ainda mais a liberdade dos homens.
O autor finaliza com ideia essencial do texto: a possibilidade da cultura ser uma forma mais de comunicação entre os homens do que de obstáculos em seus caminhos.
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